• Dr. Marcos Devanir

Hipertensão Intracraniana Idiopática (Pseudotumor)

O pseudotumor cerebral, também denominado hipertensão intracraniana idiopática, é uma síndrome de hipertensão intracraniana sem causa aparente. O quadro clínico assemelha-se muito ao de uma lesão tumoral que provoca hipertensão intracraniana, daí sua denominação. Acomete mais o sexo feminino, predominantemente mulheres obesas e em idade fértil e quase 40% dos casos ocorre em crianças e adolescentes. Na maioria das vezes é auto-limitada, com taxas de recorrência inferior a 40%. Apesar de idiopática (sem causa aparente), o pseudotumor cerebral frequentemente aparece associado a algumas condições: uso de medicações como isotretinoína, trimetropim-sulfametoxazol e tamoxifeno, lúpus eritematoso sistêmico, otite média, cirurgias de pescoço e hipercoagulabilidade. A etiologia do pseudotumor cerebral ainda não é totalmente compreendida, postula-se que possivelmente haja alterações na absorção do líquor, pressão venosa elevada e volume elevado de sangue no cérebro. A queixa mais frequente relatada pelo paciente é a cefaléia em mais de 90% dos casos, geralmente com padrão pulsátil e localização retro-ocular. Outros sintomas bem comuns são: náuseas, alterações visuais (escurecimento transitório da visão e diplopia - visão dupla), rigidez de nuca, tontura, tinido (barulhos na cabeça) e ataxia. No exame físico neurológico, 100% dos casos apresentam papiledema no fundo de olho, paralisia do VI nervo e alterações de campo visual e da visão central que podem ser súbitas ou graduais. O diagnóstico dessa condição é de exclusão, ou seja, é necessário excluir outras causas de hipertensão intracraniana primeiro, e preencher alguns critérios:

  • Pressão do LCR > 20 cm H2O

  • Análise do LCR: glicose, proteína e celularidade normais

  • Sintomas e sinais de pressão intracraniana aumentada

  • TC e RNM crânio normais

     Deve-se excluir doenças como: tumores, abscessos, hematomas, trombose de seio, insuficiência cardíaca, síndrome da veia cava superior, síndrome de hiperviscosidade, infecções, vasculites, trauma craniano dentre outras. O tratamento muitas vezes nem é preciso, uma vez que quase 60% dos casos resolvem-se espontaneamente num período de meses a 1 ano. O tratamento clínico consiste em restrição de líquidos e sal, uso de diuréticos e corticóides. O tratamento cirúrgico reserva-se para casos refratários ou com perda aguda ou progressiva da visão e consiste em punções lombares seriadas com retirada de até 30 ml de líquor e derivações lomboperitoneal ou ventriculoperitoneal (válvulas). 


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