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  • Foto do escritorDr. Marcos Devanir

Cavernomas Cerebrais

Os cavernomas são malformações capilares constituídas por vasos defeituosos, grosseiramente dilatados e sem musculatura lisa e tecido elástico revestindo suas paredes e repletos de sangue estagnado. Trata-se de uma lesão benigna (hamartoma), bem delimitada, com baixo fluxo sanguíneo, medindo entre 1 a 5 cm de diâmetro e no seu interior não há parênquima cerebral ou artérias/veias, o que os diferencia de outras malformações como telangiectasias, angiomas venosos e malformações artério-venosas. A prevalência na população é de aproximadamente 0,1%, (estimada por estudos de autópsias) e representa de 5 a 15% das malformações vasculares. Pode acometer qualquer faixa etária porém com um predomínio entre os 3 e 11 anos e entre os 30 e 40 anos de idade. Cerca de 50% dos casos o cavernoma é solitário, e os outros 50% podem ser múltiplos e 20% possuem histórico familiar. 


 Quanto à localização, 50 a 80% são supratentoriais, quase 30% infratentoriais, e apenas 5% encontram-se na medula espinhal. Os principais sintomas envolvendo essa lesão são: crises convulsivas em até 60% dos casos, déficit neurológico progressivo em 50%, hemorragia aguda, geralmente intraparenquimatosa, em 20% dos casos; hidrocefalia em cerca de 50% dos casos. Podem ser diagnosticados incidentalmente em exames de imagem, uma vez que esses têm se tornado amplamente disponíveis. A chance de sangramento chega a 3% ao ano, sendo essa chance quase 5 vezes maior em mulheres. Alguns fatores de risco impõem maior chance de sangramento como por exemplo gestação, histórico de sangramento prévio, cavernomas maiores do que 10 mm e em jovens. O padrão ouro para o diagnóstico dos cavernomas é a ressonância nuclear magnética, sendo patognomônico o achado de um núcleo reticulado circundado por um halo radiolucente. Nota-se ainda ausência de edema perilesional e muitas vezes puntiformes em gradiente-Echo. A tomografia computadorizada mostra sinais muito inespecíficos como lesão isodensa ou de hiperdensidade focal, que correspondem a hemorragias recentes ou às microcalcificações. Já a angiografia não tem qualquer valor diagnóstico nessas lesões. Alguns diagnósticos diferenciais devem ser levados em consideração: metástase cerebral de melanoma com apoplexia, MAV oculta, oligodendroglioma, xantoastrocitoma pleomórfico, teleangiectasia hemorrágica (doença de Osler- Weber-Rendu), múltiplas metástases, coriocarcinoma, entre outros. Os pacientes assintomáticos devem ser acompanhados de forma regular a cada 6 meses nos 2 primeiros anos e posteriormente anualmente, por tempo indefinido. Nesse período, considerações quanto ao tamanho, localização, condições clínicas do paciente, idade, sintomatologia e riscos cirúrgicos deverão ser abordados para uma possível decisão de tratamento cirúrgico. O tratamento das crises convulsivas pode ser feito com anticonvulsivantes com boas chances de controle, porém, uma vez que se torne refratário ao tratamento medicamentoso, a cirurgia deve ser considerada sendo a cura alcançada em até 80% dos casos. Já as lesôes sintomáticas com déficit focal, hemorragia sintomática e crises convulsivas recorrentes e refratária ao tratamento clínico, recomenda-se tratamento cirúrgico pelo alto índice de recorrência. O objetivo da cirurgia é a exérese total da lesão e além da ressonância pré operatória outros exames e recursos tecnológicos podem auxiliar na localização e planejamento operatório como a tractografia a estereotaxia e neuronavegação. As principais complicações envolvidas na cirurgia são: déficits de nervos cranianos e déficits motores, meningite e fístula liquórica. Uma vez ressecado a lesão completamente, o paciente está curado, sem chances de novo crescimento do cavernoma ou hemorragias. Após 3 meses da cirurgia recomenda-se nova ressonância para avaliar se a exérese foi completa.


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5 Comments


Wanderson Almeida
Wanderson Almeida
Mar 17

Dr ,minha esposa tem um cavernoma na ponte, descobrimos há dez anos. Ele tem fortes dores de cabeça,as vezes quando está em crise fica com rigidez de membro superior e inferior e as vezes nos lábios. Em alguns caso,as vezes confusão mental. Sempre foi tratada como enxaqueca e crise de ansiedade. Esses sintomas não estariam relacionados ao cavernoma específicamente ? Obrigado!

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paola fernandes
paola fernandes
Mar 18, 2023

Descobri recentemente um possível cavernoma 8x3mm

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Jonas Rodrigues
Jonas Rodrigues
Aug 11, 2023
Replying to

Descobri um Cavernoma em Fevereiro, fiz a Cirurgia e estou bem graças a Deus.

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Cintia Honorato
Cintia Honorato
May 09, 2022

Dr descobrir a menos de 20 dias que meu filho de 11 anos tem um cavernoma no cérebro... Estou muito preocupada.

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